Parábolas Hoje

Parábolas para o século XXI

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte
Home Textos Parábolas A parábola do tempo

A parábola do tempo

E-mail Imprimir

Publicado originalmente no À Procura, em 2006.

E o tempo, cansado que estava de ser entidade metafísica transcendental, resolveu, assim mesmo, de sopetão, adentrar os sonhos daqueles que querem evitar que ele corra, mas não podem.

E, disfarçado de bondosa senhora, fez-se presente no sonho de três homens - naquela noite, naquele instante em que o tempo deixou de ser tempo.

E a um disse: "Você é um homem muito capaz. Receberá muitas oportunidades, conforme a sua capacidade". E a outro disse: "Você é um rapaz talentoso. Siga seu coração e conseguirá se dar bem nas oportunidades que surgirão". E ao terceiro disse: "Embora você tenha poucas habilidades , ainda assim a vida sorrirá pra você. E deve aproveitar tudo com paixão."

E a grande ampulheta do cosmos, que parecia parada por um instante, continuou...

O primeiro aproveitou todas as oportunidades que lhe surgiram, ainda que com perdas algumas vezes, tornou-se um homem feliz e realizado.

O segundo, embora tímido e moderado, procurou aproveitar as oportunidades que surgiram, e assim se fez feliz também.

O terceiro, porém, tinha um medo enorme de arriscar. Sabia desenhar um pouco, mas faltava-lhe auto-confiança. E assim, os pincéis, os lápis e tudo o mais foram para o fundo de uma gaveta esquecida.

O primeiro olhou para sua vida, pensou e sorriu. "Que bela vida tive! Quanta felicidade!"

O segundo olhou, refletiu e disse de si mesmo "Como é bom! Perdi dinheiro, é verdade, mas se pudesse, faria tudo de novo".

E o ex-desenhista, que um dia sonhou com um futuro alegre, olhava para seus lápis e papéis, olhava entristecido para seus antigos desenhos. Por fim, adormeceu melancólico.

E, para ele, a ampulheta do tempo parou novamente...

A velha senhora estava lá, sentada, tricotando. E ele, cabisbaixo, tinha tanto a falar, e nenhuma palavra.

"Porque não continuou a desenhar?" - Quebrou o silêncio a simpática senhora.

"Porque tive medo da vida. Sonhava dia e noite com isso. Mas via gente sem talento ter sucesso e gente talentosa fracassar. Fiquei com medo."

"Pois você fez mal", disse-lhe a velha. "Pois se o tempo tem um quê de injusto, você deveria ter lutado contra isso. Deveria ter ao menos ensinado alguém a desenhar".

E assim ele despertou, chorando e amargurado.

Última atualização em Qui, 10 de Dezembro de 2009 16:45  

Add Comentário



Banner